Viseu, cidade do meu coração

16 12 2009

Sara Augusto

 





Alexandre de Gusmão

27 11 2009

Sara Augusto

 

 

Liberal, verdadeiro, cortês, afável, desinteressado, magnânimo, atento às acções, no ânimo constante, sempre no semblante igual, um epílogo de todas as virtudes espirituais e morais; insigne Orador, Mestre querido dos alunos, sábio escritor, unindo-se a nobreza do nascimento com o perfeito estado de melhor Religioso. Foi assim que Nuno Marques Pereira, no seu Compêndio Narrativo do Peregrino da América, publicado em 1728, falou do Padre Jesuíta Alexandre de Gusmão. Nascido em 1629, aos 10 anos foi com seus pais para o Brasil e ingressou no Colégio da Companhia de Jesus, aos 17. Foi excelente aluno e também um excelente professor, “com particular génio para o governo” (BM, I-95). Entre as diversas funções que tão bem cumpriu, sobretudo nos interessa dar relevo à fundação do Seminário de Belém, na Vila de N.S. do Rosário (Cachoeira, a 14 léguas da Bahia), em 1687. Faleceu neste Seminário em 1724, com 95 anos de idade. 

A fundação deste seminário mostra a evidente preocupação com a formação dos mais novos, mas também o profundo afecto com que venerava o Deus Menino do presépio. A preocupação e o afecto relacionam-se directamente com a publicação da Escola de Bethlem, em Évora, em 1678, obra de meditação com a qual iniciou uma longa produção, marcada pela alegoria enquanto forma favorecedora do seu intuito pedagógico e moral. É esta obra que vai estar exposta no Museu Grão Vasco, emprestado pela secção de livro antigo da Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva.

Constituindo-se como compêndio de lição e meditação, onde se ensinam as vias do amadurecimento espiritual, a Escola de Bethlem deriva de deriva de uma belíssima gravura do Presépio, colocada antes da folha de rosto, assim se instituindo como fonte e inspiração do desenvolvimento de cada capítulo da obra. Da autoria de Richard Collin, um artista nascido no Luxemburgo e com uma produção espalhada por toda a Europa, esta figuração enquadra-se na melhor tradição da literatura emblemática e representativa. Às figuras que compõem a Lapinha foram acrescentados versículos das Escrituras, relacionados com o nascimento do Menino e com cada uma das figuras em particular. É a partir desta figuração, tomando cada figura em particular, e particularizando ainda mais com os adereços de cada uma, que se estrutura a lição e a meditação, servindo cada pormenor de ilustração para as analogias, metáforas e imagens de que abundantemente se constitui este manual de vivência e crescimento espiritual. 

Escola de Belém! É escola porque na lapinha se encontram as lições que permitem passar da Via Purgativa, para a Via Iluminativa, e finalmente para o último estádio de perfeição espiritual, a Via Unitiva. E na humildade do nascimento do Menino, que acarinha e louva com imagens de doçura e adoração, se coloca o próprio Alexandre de Gusmão, eterno discípulo do Menino Mestre.





Poesia

6 11 2009

Sara Augusto

 

 

Serve este post apenas para experimentar uma formatação diferente, que permitirá compactar mais a publicação de textos poéticos em estrofes, de que nós tanto gostamos. Escrevi os dois versos, seleccionei-os com o rato, cliquei em “parágrafo”, e seleccionei a opção “endereço”: ficou automaticamente em itálico e reduziu o espaço entre os versos.

Quanto ao poema, apenas um devaneio antigo dos meus tempos de estudante em Viseu, bendita cidade, numa noite de Verão, sentada nas escadas da Sé, ainda quentes do calor do sol, com um céu azul cobalto a cobrir o adro. Como o tempo se alongava à minha frente e tudo parecia possível. Como o tempo correu e a vida tratou de me ensinar que é feita de curvas, de becos sem saída e mesmo assim sendo obrigatório seguir em frente…

Nesta manhã chuvosa de Outono, em que apanhar o autocarro de mochila pesada nas costas me pareceu um pesadelo, em que espero que chegue a noite para ter boas notícias, soube-me bem lembrar qualquer coisa que me aquecesse o coração e me desse ânimo para trabalhar.

Fotografia daqui (belíssimo site, por sinal).

Sé de Viseu
 
Levantam as pombras do adro quando anoitece.
Entre elas vai minha saudade.







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