Floridíssimo reino :)

19 03 2010

Sara Augusto

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Porque me vai dar muito gosto e porque me está a dar muito que fazer, e porque gostava que estivessem, apesar de saber que não podem, fica o convite. Um abraço para todos.






Os desmandos de Floriteia

11 03 2010

Sara Augusto

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A revisão do capítulo sobre esta longa novela, ainda inédita e manuscrita, Agravo e desagravo da Misericórdia, tem-me dado que fazer. Está atribuída a Soror Maria do Céu mas eu duvido seriamente da autoria e o manuscrito nem sequer está datado. Isso não impede que seja das minhas novelas barrocas preferidas e que sinta profunda simpatia pela tresloucada Floriteia, moça da alta nobreza italiana, presunçosa e soberba. Num passeio com as amigas, sentadas num prado junto do rio, querendo ser engraçada, saiu-se com estes desmandos sobre as obras de Misericórdia. Por cada desmando foi severamente castigada, durante catorze dias, narrados em catorze capítulos, até cair em si e entender o valor da caridade de cada uma das obras.

Dar de comer a quem tem fome, é fartar gulosos.
Dar de beber a quem tem sede, embebedar vilões.
Dar de vestir aos nus, tomar o ofício a os alfaiates.
Visitar os enfermos, e encarcerados, inquietar os doentes, e tratar com os facinorosos.
Dar pousada aos Perigrinos, encher a casa de ladrões.
Remir os captivos, enrequecer os mouros.
Enterrar os mortos, fazer saudade aos vivos.
Dar bom conselho, é presumpção de entendimento.
Ensinar os ignorantes, encher de malícia a inocência.
Consolar os tristes, deminuir o merecimento de padecer.
Castigar os que erram, agravar o próximo.
Perdoar as injúrias, facilitar insultos.
Sofrer com paciência a fraqueza de nossos próximos, cobardia de ânimo.
Rogar a Deus por vivos e defuntos, arremedar as merceeiras.








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