Memórias de Outono

18 12 2009

Sara Augusto

Fim do Outono. Que pena.

É estranho que o caminho do frio traga consigo tal explosão de cor. E a propósito podia agora discorrer sobre poética barroca e o tema central da efemeridade, onde os cisnem cantam antes da última hora e as rosas fenecem no fim do dia. Não mais amarei senhor que possa morrer. Não mais amarei, ponto final. Pode parecer artificioso, como Sophia não é, mas Gôngora é tão verdadeiramente artificioso.

Mientras por competir con tu cabello,
oro bruñido el Sol relumbra en vano,
mientras con menosprecio en medio el llano
mira tu blanca frente al lilio bello;
 
mientras a cada labio, por cogello,
siguen más ojos que al clavel temprano,
y mientras triunfa con desdén lozano
de el luciente cristal tu gentil cuello;
 
goza cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fue en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente
 
no solo en plata o víola troncada
se vuelva, mas tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
 
 




Viseu, cidade do meu coração

16 12 2009

Sara Augusto

 





Poesia

6 11 2009

Sara Augusto

 

 

Serve este post apenas para experimentar uma formatação diferente, que permitirá compactar mais a publicação de textos poéticos em estrofes, de que nós tanto gostamos. Escrevi os dois versos, seleccionei-os com o rato, cliquei em “parágrafo”, e seleccionei a opção “endereço”: ficou automaticamente em itálico e reduziu o espaço entre os versos.

Quanto ao poema, apenas um devaneio antigo dos meus tempos de estudante em Viseu, bendita cidade, numa noite de Verão, sentada nas escadas da Sé, ainda quentes do calor do sol, com um céu azul cobalto a cobrir o adro. Como o tempo se alongava à minha frente e tudo parecia possível. Como o tempo correu e a vida tratou de me ensinar que é feita de curvas, de becos sem saída e mesmo assim sendo obrigatório seguir em frente…

Nesta manhã chuvosa de Outono, em que apanhar o autocarro de mochila pesada nas costas me pareceu um pesadelo, em que espero que chegue a noite para ter boas notícias, soube-me bem lembrar qualquer coisa que me aquecesse o coração e me desse ânimo para trabalhar.

Fotografia daqui (belíssimo site, por sinal).

Sé de Viseu
 
Levantam as pombras do adro quando anoitece.
Entre elas vai minha saudade.







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