Virtude

9 03 2010

Sara Augusto

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Gosto particularmente deste painel de azulejos. Está no Museu Nacional do Azulejo, da autoria de Manuel dos Santos (c1725), e trata-se da “Alegoria da virtude calcando um vício”. Gosto do rosto da Virtude e da descompostura do Vício. Aquele ar tranquilo, quase displicente, faz parecer tudo tão fácil, não é? Por detrás do poste de madeira, a que se apoia a Virtude, não estão os olhos da cauda de um pavão?





Indagações

5 11 2009

Sara Augusto

 

 

VaticanoO estudo da literatura de viagens no contexto da literatura portuguesa tem sido ocupado quase exclusivamente com a literatura produzida no âmbito da expansão ultramarina, abrangendo diários, relatórios, relações, relatos, roteiros, cartas, todo uma produção capaz de fazer a história dos descobrimentos portugueses desde o extremo Oriente até ao sertão do Brasil. O prolongamento desta literatura pelo século XVII e XVIII adiante foi feito sobretudo pelo recurso aos relatos de naufrágios, realçando a narrativa de aventuras por mares inóspitos, a espectacularidade do desastre marítimo e a visualização do sofrimento e do heroísmo.

Isto significa que uma percentagem significativa da literatura de viagens, neste caso não só as viagens a Roma mas também as viagens pelo resto da Europa, foi esquecida desde muito cedo por não corresponder a uma tipificação estabelecida pela viagem ultramarina. Este facto torna-se evidente quando verificamos a quase total inexistência de registos impressos das viagens a Roma, tendo-se mantido até agora os manuscritos guardados nas secções de livro antigo das bibliotecas e dos arquivos.

Contudo, estas narrativas, relações, relatos e descrições da viagem romana, são de fundamental importância para a literatura portuguesa, pelo facto de permitirem o desenho do contexto envolvente da viagem, pelas referências a personagens e factos, descrição de rotas e locais, oferecendo com frequência visões amplas da sua época. Esta envolvência torna-se ainda mais importante na época barroca, período em que encontramos o maior número destas narrativas à cidade dos Papas, uma vez que o discurso barroco privilegia aspectos diversos e distintos, optando por um discurso mais atento à descrição de personagens e ambientes, focando a atenção na ostentação e curiosidade artística.

Colocando-nos, então, na época barroca, colocam-se duas questões: por que razão se vai a Roma? Por que se regista a viagem?





Pedra e mistério

27 10 2009

Sara Augusto

 

 

Passei no Instituto de História da Arte para consultar umas coisas e o cartaz chamou-me a atenção. Em primeiro lugar, pelas cores da imagem, fulgentes e vivas; em segundo lugar pela escultura que logo me indicou referir-se a arte sacra; em terceiro lugar, pelo título, já sabem que gosto de metáforas; depois, pelas letras mais miudinhas, com referência à Diocesa de Viseu e ao Departamento dos Bens da Igreja, um dos parceiros desta exposição temporária, patente no Museu Municipal de Tondela. Se eu tivesse pedido com jeito, a D. Lisdália tinha-me dado o cartaz, com toda a certeza.

Pedra e mistérioVejam lá se não é uma obra de arte! É… o tamanho em que consegui a foto no google images não ajuda nada. Desculpem. Enviem-me uma fotografia em condições se por acaso tiverem acesso a alguma, por favor. Muito obrigada.








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