Sara Augusto
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Há momentos em que tantas coisas se cruzam. Há poucos anos, em dias mais cinzentos, a tia Nanda dizia-me que pensasse na Virgem acolhendo-me no seu colo. No teu colo, Senhora, no teu colo. Tem sido preciosa esta invocação em muitos momentos da minha vida.
Na sexta-feira, na montagem da exposição, depois dos vidros quase limpos, transportámos as peças para os seus lugares. Na segunda sala ficou exposta uma Sagrada Família absolutamente espantosa. Coube-me levar a escultura de Nossa Senhora, bem mais pesada do que pensava. Encaixei-a nos meus braços e levei-a pelo claustro fora. O primeiro pensamento foi “por favor, não me escorregues, que eu não tenho seguro que te pague…”. Depois, reparei na coincidência de levar a Virgem ao colo e sorri. No meu colo, Senhora, hoje vais no meu colo… e aqui, só as duas, agora que te estou a agarrar com todas as minhas forças, ouve-me, Senhora. Com a mesma força, agarra o nosso menino nos teus braços. No teu colo.
Era suposto ter aqui uma fotografia da escultura… vão ver a exposição!

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