Estrangeiro

22 06 2009

“Os Príncipes, por assim dizer, materializaram a violência; as repúblicas democráticas dos nossos dias tornaram-na tão intelectual como a vontade humana que quer obrigar. Sob o governo absoluto de um só, o despotismo, para chegar à alma, atingia grosseiramente o corpo; e a alma escapando a estes golpes, elevava-se gloriosa acima dele, mas, nas repúblicas democráticas, já não é assim que procede a tirania; ela deixa o corpo e vai direita à alma. Aí o senhor já não diz: pensareis como eu ou morrereis; diz: sois livres de não pensar como eu; a vossa vida, os vossos bens, tudo vos fica; mas a partir desse dia sois um estrangeiro entre nós”.

Alexis de Tocqueville.





Homilia do Papa para o Ano sacerdotal

20 06 2009

Deixo-vos para nossa reflexão três passagens da homilia do Papa para o ano sacerdotal. Ainda não as comento, mas tem muita coisa que nos deve fazer pensar.

Também como informação extra, deixo um site com os mais variados documentos com referência a este ano sacerdotal, inclusive a totalidade da homilia (que vale a pena ler): 

http://www.zenit.org/tag1-685-0

Homilia

“…Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil e necessário o estudo com uma atenta e permanente formação pastoral, mas é ainda mais necessária essa “ciência do amor”, que só se aprende de “coração a coração” com Cristo. Ele nos chama a partir o pão do seu amor, a perdoar os pecados e a guiar o rebanho em seu nome. Precisamente por este motivo, não podemos nos afastar nunca do manancial do amor que é seu Coração atravessado na cruz.”

“… capazes de cooperar eficazmente com o misterioso “desígnio do Pai”, que consiste em “fazer de Cristo o coração do mundo”, desígnio que se realiza na história na medida em que Jesus se converte no Coração dos corações humanos, começando por aqueles que estão chamados a estar mais perto d’Ele, os sacerdotes. As “promessas sacerdotais” que pronunciamos no dia da nossa ordenação e que renovamos cada ano, na Quinta-Feira Santa, na Missa Crismal, voltam a nos recordar este constante compromisso. Inclusive nossas carências, nossos limites e fraquezas devem nos conduzir ao Coração de Jesus.  Se é verdade que os pecadores, ao contemplá-lo, devem aprender a necessária “dor dos pecados” que volta a conduzi-los ao Pai, isso se aplica ainda mais aos ministros sagrados. “Como esquecer que nada faz a Igreja, Corpo de Cristo, sofrer mais que os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se convertem em “ladrões de ovelhas” (João 10, 1ss), seja porque as desviam com suas doutrinas privadas, seja porque as atam com os laços do pecado e da morte? Também para nós, queridos sacerdotes, aplica-se o chamado à conversão e a recorrer à Misericórdia Divina, e igualmente devemos dirigir com humildade incessante a súplica ao Coração de Jesus para que nos preserve do terrível risco de causar dano àqueles a quem devemos salvar.”

 ”…cumprir nosso ministério com generosidade e dedicação, seja para custodiar na alma um verdadeiro “temor de Deus”: temor de poder privar de tanto bem, por nossa negligência ou culpa, as almas que nos foram confiadas, ou de poder causar-lhes dano. Que Deus não o permita! A Igreja tem necessidade de sacerdotes santos, de ministros que ajudem os fiéis a experimentar o amor misericordioso do Senhor e sejam suas testemunhas convictas.”





Mateus, 20.

18 06 2009

A  última sequência manuscrita do “Sermão da terceira quarta-feira da Quaresma do Segredo” (Apug- Archivio della Pontificia Università Gregoriana nº 788, fl. 392r) termina desta forma:

 “O Céu sabem porque se chama assi? Porque vem do verbo celo que no Latim quer dizer cobrir <…> porque o Céu cobre tudo quanto o sol descobre, e que mistérios tam altos e segredos tam profundos encobre o Céu, que pouco sabem os homens do que vai daqui para cima! Tudo para nós está em segredo.

Pois se o Céu cobre todo este globo da terra, nós não encobriremos sequer parte? Não encobriremos os segredos, as fraquezas, os defeitos do nosso próximo que são terra como nós? Se assi o fizerdes parecer-vos-eis muito com o Céu. Sereis um Céu na terra, ou já na terra gozareis do Céu, nesta vida, com a graça de Deus.”

 Não tive tempo de ler o corpo do sermão, detendo-me apenas nestas palavras, cujo texto voltei a actualizar, com grandes riscos. A pontuação é praticamente toda da minha responsabilidade. Espero ter percebido o sentido.

Mas… quarta-feira da Quaresma do segredo? Podem explicar-me?

Sara Augusto





Novos mares, o mesmo rumo

17 06 2009

Padre João Escrever sobre alguém não é fácil, ainda mais quando se trata de um amigo. Ao longo de dois anos, tive a graça de conviver com o P. João e usufruir de profundos e demorados momentos de colóquio, especialmente sobre temas espirituais que muito contribuíram para uma melhor percepção do ministério sacerdotal.

Com uma presença sempre alegre e bem-disposta, o P. João transformava o ordinário em extraordinário e transmitia esta sabedoria àqueles que o rodeavam.

Na ultima Eucaristia que o P. João celebrou antes de regressar a Portugal, S.Paulo, na primeira leitura, desenha o rumo do ministério dos colaboradores de Deus. São estas palavras que quero deixar ao P. João na esperança que, embora em novos mares, mantenha sempre o mesmo rumo de fidelidade a Cristo e à Igreja.

2Cor 6,3-10

«Evitamos dar qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado.

Mas mostramo-nos em tudo como ministros de Deus, com grande perseverança nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nos tumultos, nas prisões, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns;

pela pureza, pela sabedoria, pela paciência, pela bondade, pelo espírito de santidade, pela caridade sem fingimento;

pela palavra da verdade, pelo poder de Deus;

pelas armas ofensivas e defensivas da justiça;

na honra e na ignomínia, na difamação e na boa fama.

Somos considerados como impostores, embora verdadeiros;

como desconhecidos, embora bem conhecidos;

como agonizantes, embora estejamos com vida;

como condenados, mas livres da morte;

como tristes, mas sempre alegres;

como pobres, mas enriquecendo a muitos;

como não tendo nada, mas possuindo tudo».

P. Giselo





O génio dos Romanos, capítulo V

16 06 2009

Costumo deambular sozinha por Roma, mas falo pouco com os romanos. Não os conheço bem, apenas tenho impressões. Por isso achei curiosa esta descrição do “génio dos Romanos” feita por Luís Caetano de Lima, em 1722, na sua Relação da Corte de Roma, a pedido e dedicada a D. João V. Actualizei muito o texto, demasiado, mas a leitura ficou com muito menos ruído.

Depois de tantos anos passados em Roma, gostava muito de saber o que pensam da verdade deste julgamento feito nos inícios do século XVIII.

 

 “O génio desta Nação é hoje mui diferente do que foi em outros tempos, faltando-lhe aquele ardor belicoso que respiravam antigamente os Romanos. Isto porém se não deve atribuir à mudança de temperamento, mas à diferença de um governo pacífico que, não cuidando em adquirir domínios pelas armas, escusa formar soldados para a guerra.

São os Romanos dotados de um entendimento claro, em que porém se descobre mais prudência do que agudeza; mas nem por isso deixam de ter suma penetração quando se ajustam negócios de interesse ou se tratam matérias de Estado. Passam por sesudos nos conselhos, fáceis nos arbítrios, oficiosos com os pretendentes, eficazes nos negócios, circunspectos nos discursos políticos, observadores da Ordem, apaixonados pela religião, ou para melhor dizer pela jurdição [sic] eclesiástica, pródigos de ceremónias, polidos no trato, generosos nas promessas, brandos nas repulsas, pomposos no exterior, económicos no particular, investigadores dos pensamentos alheos, e sumamente recatados nos próprios. A estas qualidades ajuntam outras de pouca estimação como é serem dados a uma vida licenciosa, poucos modestos nas expressões familiares, vingativos fracamente das injúrias, escravos da cobiça, devotos por costume, amigos por interesse, desprezadores dos costumes das outras Nações, presumidos de políticas, cultivadores do ócio, pouco laboriosos nos estudos, impacientes nos trabalhos, e mui lentos na execução.

Em quanto às Artes Liberais, é certo que só entre os Romanos se conservam com grande primor a Arquitectura Civil, a Escultura, a Música e a Pintura; e se em Itália se não encontram hoje Ticianos, Rafaeis de Urbino, Buonarotis e Madernos, dela aprendem ainda hoje as mais Nações da Europa, para o que concorrem a Roma de várias partes, animando-as com generosa e real despesa o grande coração de alguns Príncipes; e as obras que se não estimam agora tanto por modernas, virão um dia a ser originais de grande preço.”

Sara Augusto





Salve

15 06 2009

Imagem 168Quando o Padre Giselo lançou a ideia deste blogue, percebi logo que queria muito fazer parte desta comunidade virtual. Bem, na verdade, ela ainda é bem pouco virtual! Teremos essa noção mais definitiva à medida que cada um vá partindo para os seus lugares.

Para além da parte emotiva deste blogue, permitindo manter laços que criei com tanto entusiasmo, tenho um gosto imenso em partilhar as coisas que estudei e que estudo. A minha área de formação é a Literatura Portuguesa (Época Moderna), com uma incursão significativa nas Literaturas de Língua Portuguesa. Conheço bem a literatura maneirista e a literatura barroca e é sobre elas que me proponho falar. Além disso, como sabem, este período em Roma permitiu-me preencher o trabalho que tenho em curso sobre as narrativas de viagem de portugueses a esta cidade na época barroca.

Bem, de qualquer forma se não hesitei em estar convosco este tempo, também não viraria costas a um projecto comum! Contem com o meu empenho. Até logo.

Sara Augusto





Bem-vindos!

15 06 2009

Caros amigos “inliminados”,

o fim do ano lectivo aproxima-se e muitos de nós iremos deixar a “cidade eterna” para retomar os trabalhos nas respectivas dioceses. Por um lado invade-nos a alegria do regresso à acção pastoral, por outro, a tristeza por abandonar a ambiente de estudo e de comunidade passados em Roma.

Este blog de grupo é uma tentativa de continuar no mundo virtual os diálogos e partilhas que iniciámos no Colégio. As conversas acesas sobre as mais variadas temáticas, coloridas pelo percurso académico de cada um, constituiram um espço de amizade  e crescimento para todos.

A ideia é de criar um espaço de interacção, onde todos se sintam à vontade para partilhar actividades e projectos, ideias e emoções, certezas e dúvidas. Espero que o “In Limina” possa ser um locus amicitiae que a dispersão geográfica não consiga destruir.

O “In Limina” é dedicado aos alunos e ex-alunos do Colégio Português e a todos os amigos que se identificam com este projecto. Todos são bem-vindos!

Dispersos pelo mundo, unidos pela fé!

Dispersos pelo mundo, unidos pela fé!





Bem hajam!

14 06 2009

A ideia genial que teve o Giselo permitirá, a partir de agora, trocarmos projectos, pensamentos e, porque não, sonhos. Existem tantos espaços na net que roçam a mediocridade, espero que este, sem presunções, possa elevar a qualidade do que por aí se escreve, sobretudo, se pensa. Bem vindos!





Hello world!

14 06 2009

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